domingo, 7 de setembro de 2014

Ilha de Páscoa - resumo e conclusões

Sobrevoando a Ilha de Páscoa

O piloto sobrevoa algumas vezes para nosso deleite

Descemos direto na pista no aeroporto Mataveri

Bemvindos

Todos já devem ter ouvido falar mil vezes o quanto a Ilha de Páscoa é sensacional. É a pura verdade. Devo ressaltar no entanto que àqueles que não amam a natureza, que são mais urbanos, não devem incluir a ilha em sua lista de destinos.

Pedaços da Ilha de Páscoa

Cena bucólica

Em compensação, quem ama a natureza não deve perder tempo e levar Rapa Nui para o topo de sua lista de destinos imediatos. Eu conheço alguns lugares onde a natureza é comum, alguns onde ela é exuberante, outros em que ela se mostra grandiosa ou esplendorosa. No entanto, nenhum destes lugares me impressionou tanto quanto esta pequena ilha perdida no meio do nada. Talvez por ela ser tão primitiva ainda, ou talvez pela forma furiosa, bruta e muitas vezes agressiva como ela se apresenta diante de nós. 

As cerejas do bolo são as lendas e mistérios que envolve o povo, os moais, os primeiros habitantes, a história daquele lugar inóspito. E aqui vai minha primeira dica para quem vai viajar para lá: leia antes sobre o que dizem estas lendas. Uma vez na ilha, converse com os locais. Ouvi coisas lá que não havia lido em nenhum lugar.

História atual

Hanga Roa

Tem muitos cachorros na ilha que se chegam e se fazem de guias. Este aí parou para saber porque eu parei.

Eles esperam pacientemente e ainda posam para foto com ar blasé
Li em muitos blogs, antes de viajar, que a melhor maneira de visitar a Ilha de Páscoa, era alugar carros ou contratar os passeios com guias. Claro que depende do estilo de cada viajante, mas pelos meus posts anteriores acho que ficou claro que há outras maneiras. Vivo em uma cidade urbana, caótica. Vivo em carros e em lugares fechados com ar condicionado. Nesta viagem queria vento na cara, contato com vegetação, caminhar, pedalar, correr: colocar meu corpo para suar. 

Consiga um mapa em seu hotel. É muito fácil andar pela ilha pois há placas de sinalização em todo canto e é uma ilha muito pequena. 

E não vacile. Não deixe a janela do quarto de seu hotel aberta, não confie nas pessoas inteiramente, não deixe seus pertences à toa, use o cofre. O final de minha viagem deixou um gosto muito amargo com o furto de meu passaporte e bens de valor, do meu quarto de hotel, enquanto eu tomava banho. Fora toda a burocracia para conseguir sair do Chile, depois disso. 

Caminhar sem pressa. Aliás, fazer tudo sem pressa para apreciar cada momento

Às vezes, em vez de ver o por do sol no Ahu Tahai, gostava de vir aqui. Ali na ponta, no canto superior esquerdo da foto, está la caleta

Bom para namorar, tomar banho, fazer nada... perto do ahu tahai

Ahu Riata descansando, curtindo a paisagem, admirando a vista, com meu guia do dia
Enfim: vá, divirta-se, aproveite que vale muito à pena.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

O vulcão PUNA PAU, AHU AKIVI, ANA TE PAHU, AHU TEPEU, ANA KAKENGA, Ilha de Páscoa, Chile

No quarto dia na Ilha de Páscoa, depois de caminharmos, corrermos e andarmos de van era hora de um novo meio de transporte para continuarmos explorando a ilha: bikes. O objetivo era seguir o caminho costeiro.

Makemake bikes em Hanga Roa: alugamos bikes aqui
O primeiro destino foi o vulcão Puna Pau. Logo quando cheguei achei que fosse só um morro qualquer com uma vegetação de um tom de verde bonito. Quando me dei conta de que estava aos pés de mais um vulcão, rolou uma emoção. Não sei explicar o motivo, mas AFINAL de contas eu estava aos pés de um VULCÃO!!!!

Nós fomos de bicicleta, mas é possível ir caminhando e também de carro. No entanto, vamos combinar: qual é mesmo a graça de se enfiar em um carro com toda aquela natureza ao nosso redor?!

Puna Pau também pode ser chamada de fábrica de pukaos. Eles eram feitos aqui e levados para outros cantos da ilha. Ninguém sabe ao certo como. 

o vulcão Puna Pau

O vulcão Puna Pau e a estrada que dá acesso a ele.

O Puna Pau e os pukaos
De Puna Pau podemos avistar o aeroporto Mataveri e uma parte da ilha. Pode ser uma experiencia interessante assistir a um avião decolar dali.

Subindo para apreciar a vista

A vista vale à pena a subida

Uma panorâmica

O LAN Chile decolando
Saímos de Puna Pau com destino ao Ahu Akivi. Este ahu tem sete moais e todos estes olham para o mar. Como todos os outros, eles também parecem estar vigiando a ilha. O interessante deste ahu é que nos equinócios todos os vigilantes de pedra olham para o local onde o sol se põe.

Sempre que chegávamos em algum ponto de interesse, amarrávamos as bikes. Recebemos esta orientação na loja de aluguel e eles nos deram correntes. Não entendemos bem o motivo já que todos insistiam que era um local muito seguro. Nesta noite, quando o sujeito entrou em nosso quarto no hotel e me furtou, foi que eu entendi o motivo das correntes nas bicicletas: a Ilha de Páscoa NÃO é um local seguro.

Chegando no Ahu Akivi e amarrando as bicicletas

O AHU AKIVI com seus sete moais olhando para o mar

O Ahu Akivi

Detalhe de um dos enormes moais

O Ahu Akivi com os moais olhando para o mar e vigiando a ilha
A próxima parada foi a caverna Ana Te Pahu, feita de lava vulcânica e a caverna Ana Kakenga que é uma caverna enorme com abertura para o oceano. Esta segunda estava cheia de turistas. Foi o único momento da viagem em que eu me vi cercada de muita gente.

Em Ana Te Pahu os rapa nui usavam como local de plantação de verduras e frutas. Hoje a maioria destas produtos vem do continente, mas naquela época se os ilhéus não produzissem sua comida morriam de fome. Inclusive a ilha passou por sérios problemas de alimentos em momentos de sua história.

Até aqui estava super tranquilo andar na bike. Pegamos trechos de asfalto e outros de barro, mas sem nenhuma dificuldade.

ANA TE PAHU

ANA KAKENGA
A partir das cavernas, o percurso começou a ficar pedreira pura. Subidas e descidas e muitas pedras no meio do caminho exigiram muito esforço e concentração de minha parte para não ir parar penhasco abaixo. Foi tenso para mim que não sou nenhuma super biker, mas faria tudo de novo exatamente igual. Ir pedalando pela zona costeira é bonito demais!

E chacoalhando na bicicleta chegamos ao Ahu Tepeu, um dos meus lugares prediletos na Ilha de Páscoa. O lugar é um grande gramado que termina em um penhasco, com as ondas batendo com muita fúria lá embaixo. O recorte das pedras, o barulho do mar, a coloração me deixaram hipnotizada. Chegamos muito perto e por alguns momentos o tempo parou e a sensação era de que este lugar é tão remoto que nem Deus chega ali. 

Eu sentei por uns instantes e quase pude ver naus de conquistadores europeus ou guerreiros incas chegando pelo mar. Foi uma sensação muito primitiva, muito intensa. 

Pedreira pura, aventura de bike

Uma vista espetacular

Recortes da Ilha de Páscoa

A cor do mar é incrível

As ondas batem com muita fúria nas pedras

É tudo exuberante demais

A fúria da natureza

Era hora de voltar à Hanga Roa para devolvermos as bikes. O caminho até lá foi difícil com mais subidas, descidas e pedras, mas valeu cada segundo somente pelo visual maravilhoso.

Foi fácil não, mas com esta natureza em volta valeu à pena

Foi preciso força para não despencar penhasco abaixo

Vamos nessa que o dia esta acabando e foi incrível
Em Hanga Roa, depois de devolvermos as bicicletas fomos ver o por do sol e descansar, antes de jantar,  em La Caleta em frente ao campo de futebol. 

Foi um lindo por do sol. O mais bonito que vimos na Ilha de Páscoa. Naquele momento de puro deleite e cansaço físico nós não podíamos imaginar que a nossa estadia na ilha seria abreviado. Com o furto que ocorreu nesta noite, ao voltarmos para o hotel, resolvemos partir logo no dia seguinte. Não havia mais condições de continuar ali. 

O por do sol de despedida

CORRENDO até o Ahu VINAPU, Ilha de Páscoa, Chile



Resolvemos fazer um treino de corrida até o Ahu Vinapu. Não é fácil correr na ilha por causa dos fortes ventos e das ladeiras e tipo de terreno. E justamente por causa do desafio, foi tão legal. Levamos cerca de meia hora até chegar porque não é longe de Hanga Roa. Dá para ir caminhando sem problema algum. Fica no caminho para o aeroporto Mataveri e tem sinalização. 

Um café para acordar
Correndo até o ahu Vinapu

Correndo para Vina Pu - a placa à frente sinaliza o caminho
Foi um treino muito duro.
A vista de Vinapu é bonita, como todas na ilha. Chegamos em um lugar mais alto e fomos descendo em direção ao mar que batia nas pedras enquanto o dia ia acordando preguiçosamente. O contraste de cores dá o toque final naquela paisagem que parecia uma pintura.

Chegando em Vinapu já avistamos o mar: contraste de cores

Último e duro trecho

Valeu à pena: paisagem espetacular

O dia estava nascendo


Uma fenda que leva mais perto do mar
Explorando os recortes da Ilha de Páscoa

Explorando Vinapu
Nuvens baixas sobre os recortes da ilha

Nuvens baixas, sobre Vinapu

Vinapu tem características que o tornam interessantes: os moais aqui estão quebrados e caídos com a cara virada para o chão. Há ruínas parecidas com as encontradas nas cidades incas, o que leva a especulações do tipo: os rapa nui vieram das Américas e não da Polinésia? Os incas estiveram por aqui e se estabeleceu um breve intercâmbio? Além disso aqui também há um moai feminino, feito com a mesma pedra vermelha dos pukaos.

Moai feminino construído com a mesma pedra dos pukaos

O encaixe das pedras similar a dos incas

O moais caido 

A entrada para Vinapu

Rola a lenda que aqui era lugar de culto aos antepassados. 

De Vinapu voltamos correndo para tomar banho, café da manhã e começar o dia com visitas a outros lugares interessantes da ilha. Só que desta vez o meio de transporte escolhido foi a bicicleta. Tudo no próximo texto.