terça-feira, 24 de novembro de 2015

Feira de LIVROS, Nel GOMÉZ, CAFÉ e livros: até BREVE Medellín...


Em uma segunda-feira de Setembro, quente, nos despedimos de Medellín, na Colômbia, onde passamos dias felizes e de muitas descobertas. No entanto, ainda tínhamos um dia inteiro para as despedidas. Nosso voo saía para Bogotá apenas na manhã seguinte. 

Arepas

Excelente metrô

Metrô
Nosso dia começou com arepas e eu acredito firmemente que um dia que começa com arepas no café da manhã tem tudo para ser um dia feliz. O nosso foi. E muito!

Às vezes, quando estamos em uma cidade em que compreendemos a língua local, lemos o jornal da cidade. Eles podem nos dar dicas preciosas sobre os eventos que estão acontecendo. Foi assim que ficamos sabendo da feira de livros que estava montada no centro, próxima ao Planetário, Jardim Botânico e Casa de la Musica. 

Tomamos o metrô Aguacatala e saltamos na estação Universidad. O dia estava um verdadeiro forno!

Feira de livros

Feira de livros
Havia várias tendas separadas por temas: didáticos, editora, sebo, infantis e outros. Eu amo os livros: cheiro, textura, arte da capa, formato das letras. Viajo nestes elementos quase com a mesma intensidade com que viajo pelas histórias. 

A feira tinha certa variedade, mas confesso que não consegui aproveitar direito e nem procurar os livros que estava buscando porque Medellín neste dia estava muito quente e as tendas eram verdadeiras saunas. Eu sofro com o calor. Demos uma volta geral, olhei a quantidade de estudantes que estavam entrando e saindo das tendas, rindo e fazendo barulho e toquei em alguns títulos lendo seus resumos. Resolvemos almoçar por ali mesmo. 

Barraquinhas de comida
Kombi para almoço

Muito fofa

Sanduíche de frango desfiado com chips de patacón

Muito bom
Na feira havia algumas barraquinhas de comida, como em uma quermesse. Escolhemos comer em uma kombi que estava estacionada logo no início da feira. Na verdade, eu escolhi. Tenho uma atração absoluta por coisas bonitas (meu conceito de beleza é bem amplo), estilizadas e logo que cheguei a kombi chamou a minha atenção.

Eu almocei um sanduíche de frango desfiado com um desconhecido e delicioso molho, com maravilhosos chips de patacón e um tinto no final. Apesar do calor, foi uma refeição divina: simples, gostosa e ao ar livre. 

Museu Pedro Nel Goméz

Homenaje a Ricardo Rendón
Bañista en la alcoba (1930)
Depois que almoçamos seguimos até a Casa Museu Pedro Nel Goméz. Apesar da curta distância tomamos um táxi até lá porque estava muito quente, porque não estávamos seguros sobre o caminho ou sobre a violência urbana naquela região. 

O museu funciona em uma linda e grande casa onde o artista morou e trabalhou. O acervo possui muitos trabalhos dele com alguns verdadeiramente interessantes. Eu não o conhecia até chegar em Medellín e me encantei por seus temas e cores.

Pedro Nel Goméz (1899-1984) talvez seja um dos mais importantes e expressivos pintores do século XX. Viveu uma época de efervescência colombiana, com mudanças acontecendo por todos os lados e nem sempre de forma pacífica. Mesmo para uma leiga como eu, é possível perceber isso em sua arte.

Em primeiro lugar eu adoro murais, cheios de informações e atemporais e o artista pintou vários deles enchendo paredes de pura história.

O quadro "Homenaje a Ricardo Rendón" (1934), com sua boemia, me chamou particularmente a atenção. Talvez por eu ter certa preferência por cenas.  Ou talvez pela imagens serem muito coloridas, com tons vibrantes, escuros, fechados como o bordô que atraiu vivamente meu olhar. Ou talvez pelo registro do contraste entre o lindo céu azul de Medellín com as montanhas verdejantes que tanto me encantaram. 

O artista pintou temas bíblicos como "O Martírio de São Gerônimo", tema tão recorrente nos trabalhos de muitos artistas ao longo da história. Ele pintou seu país e contribuiu para o desenvolvimento arquitetônico e urbanístico da cidade. 

"Hay que llenar las paredes con la palpitación de la realidad colombiana, que és una realidad del más fabuloso volumen" Pedro Nel Goméz.

Até hoje, se fechar meus olhos, consigo enxergar em minha mente "La Tessália del Trópico", 1940-44, uma senhora de vestido confortável, à vontade em sua casa, pés descalços, comendo frutas que se equilibram no braço de uma poltrona azul, com olhares perdidos dentro de profundos pensamentos. "El Exodo Campesino", 1950, é muito forte, mostrando o desespero de uma mãe, seus olhos sem esperança, abraçando sua filha que chora. As cores dão um ar de melancolia que aprofundam a tristeza do quadro. 

"Esposos en la Ventana" (1966) expressa tanto amor! Pouco amor, amor de uma vida. O acervo é grande e gastamos um bom tempo percorrendo as obras do artista: deliciados. 

Casa Museu Pedro Nel Goméz

Casa Museu Pedro Nel Goméz

Casa Museu Pedro Nel Goméz

Casa Museu Pedro Nel Goméz

Casa Museu Pedro Nel Goméz

Casa Museu Pedro Nel Goméz

Casa Museu Pedro Nel Goméz

Casa Museu Pedro Nel Goméz
Além disso, o casarão é muito bonito e muito bem conservado, com um jardim muito verde e uma vista para as montanhas e telhados de Medellín. Passear pela área externa da casa é quase tão interessante quanto passear por dentro com suas paredes repletas de arte, arte e arte.

Metrô Universidad

Vista do Metrô Universidad

Esperando o metrô
Pegamos o metrô de volta à estação Aguacatala onde nossa querida família anfitriã nos pegou e nos levou para comprar mais café. Desta vez compramos no El Laboratorio de Café  um café premiado, muito aromático que até hoje perfuma a minha cozinha.

Em seguida fomos ao shopping El Tesoro Parque Comercial para comprar livros. Falei ao vendedor que queria livros que falassem da Colômbia e de sua história, fosse ficção ou não, de preferência que referenciasse Antioquia. De repente, eu me vi sentada em um sofá, cercada de três vendedores, um cliente, minha amiga anfitriã antioqueña, uma pilha interminável de livros, mil sugestões e milhares de dúvidas. Depois de muito tempo e dificuldade terminei comprando: El Mundo de Afuera de Jorge Franco e La Oculta de Héctor Abad Faciolince. 

Já era noite e fomos para casa. Queria aproveitar o resto do tempo enrolada nas três meninas lindas desta família, que roubaram o meu coração e me deram muito amor, carinho, beijos e abraços intermináveis. Ficamos no sofá ouvindo música e dançando. Quando penso em seus sorrisos sinto meu coração derreter e meu dia fica mais bonito e iluminado.