segunda-feira, 16 de novembro de 2015

SENDO um pouquinho mais que TURISTA em Medellín, Colômbia:


Chegou o fim de semana e nós continuamos por Medellín, mergulhando um pouco mais na cultural local, na maneira de viver das pessoas, descortinando a vida que existe sob a superfície. 

Nós temos um amigo argentino que casou-se com uma colombiana. Tenho que deixar registrado aqui que ambos são pessoas muito, muito queridas. São artistas e divertidos. Nós fizemos um pacto de nos encontrarmos ao menos uma vez por ano, em qualquer lugar, mesmo que fosse apenas por 1 dia, como aconteceu uma vez em Colônia do Sacramento: nós chegamos de Montevidéu de ônibus e eles de barco desde Buenos Aires, onde vivem. Este ano, infelizmente, não conseguimos nos ver. Pelo menos não ainda, já que o ano de 2015 não acabou.

Um dia, em 2012, esta amiga querida nos chamou para passar o Reveillon com sua família na Colômbia. Até então, nunca havia passado pela minha cabeça visitar a Colômbia que em toda a minha ignorância, eu considerava um país violento, onde todos eram herdeiros de Pablo Escobar e que não havia mais nada além disso. Mas eu confiava em minha amiga e quando recebemos o convite aceitamos no ato. 

Chegamos em Bogotá no dia de Natal e absolutamente tudo estava fechado. Chovia muito e as ruas estavam desertas. O meu relacionamento com a Colômbia não foi de amor à primeira vista, mas não demorou muito para que eu me rendesse ao país e seus encantos e tenho certeza que isso se deve especialmente a gente daquela terra, seu maior tesouro. Esta primeira impressão eu validei e confirmei em meus dias na região de Quindio. Parte desta viagem eu já relatei neste blog, mas a outra ainda preciso transformar lembranças em palavras. Não é tarefa fácil e ainda não encontrei tempo para me dedicar a ela como se deve. 

Antioquia sempre vai me remeter ao verde, uma das cores deste lugar
Foi assim que conhecemos a família desta amiga que quase três anos depois nos recebeu em sua casa com uma gentileza, disponibilidade, amabilidade, cortesia e confiança que eu jamais vou conseguir expressar em palavras, com fidelidade. E foi aqui que eu tive a confirmação definitiva que a maior riqueza que a Colômbia tem é seu povo.

Durante o fim de semana vivemos um pouco do cotidiano deles, nos inserimos em sua rotina, gratos por nos permitirem esta incursão. Assim, fomos a um evento na escola das meninas, assistimos a uma partida de futebol do filho mais velho, almoçamos com outros membros da família: avô, primos e tios. 

O almoço foi um capítulo à parte: mesa redonda, comida farta, diversas idades, conversas, pessoas por todos os lados, largados no sofá, recebendo a brisa na varanda, conversando à mesa, vendo tv no quarto. Muitos abraços, beijos e risadas. Um ambiente confortável onde fomos acolhidos sem ressalvas ou restrições.

Nos perguntaram sobre o Brasil e acharam muito curioso nossa vitamina de abacate ou de banana, tomada no café da manhã para ter energia e se espantaram quando contei que minha mãe adora abacate com açúcar. Amaram e afirmaram que iam incorporar ao seu dia a dia. Lá, abacate é comida, acompanhamento, come-se salgado, quase nunca brilha sozinho, como aqui no Brasil. Conversamos sobre as similaridades (muitas) e diferenças entre nossas cidades. Os ouvimos falarem todos ao mesmo tempo, coisa típica de quem se conhece intimamente. 

O que mais me emocionou foi quando um dos membros desta família nos disse que aquela casa estava aberta para nós, sempre que quiséssemos e que podíamos e devíamos levar os amigos. Depois de tudo o que vi neste país, eu acreditei piamente.

Via Margarida

Via Margarida
Saímos do almoço e ainda com a proposta de inserção completa e absoluta na rotina da família, fomos cortar o cabelo do primogênito desta família de quatro filhos que roubou completamente meu coração e que até hoje sinto uma saudade de doer, o que nos rendeu boas risadas.

O destino seguinte foi a Via Margarida, uma simpática e arborizada rua, pequenina, com bares e lojas dos dois lados. Entramos em várias lojas lindas, de design e artefatos conceito e uma loja de chá maravilhosa. No entanto, nos rendemos mesmo foi ao café. 

Pergamino Café lotado

Muitas opções
Pergamino Café

Pergamino Café detalhes

Pergamino Café salão
Paramos então no Café Pergamino que estava lotado. Desta vez tomamos um expresso em lugar do tinto. Estava delicioso. O café colombiano verdadeiramente me agrada: ele tem sabor e tem aroma também. O lugar é bonito com decoração aconchegante. 

Compramos café que foi moído na hora. O moço no caixa nos explicou as diferenças e baseado especialmente no tipo de cafeteira que nós temos nos indicou um. Fiquei feliz com minha compra e assim deixamos a Via Margarida. 

Muito próximo daí está a Zona Rosa, que costuma ser a zona boêmia e da moda, de cidades colombianas. Eu não sou muito festeira, mas nós passamos de carro duas vezes por esta área e o que me chamou muito a atenção é que esta era uma zona puramente residencial algumas décadas atrás, onde alguns de nossos amigos colombianos cresceram, soltos na rua. 

Hoje tudo se transformou em bar, restaurante e danceterias dos mais diversos tipos e temas que dizem lotar à noite. O curioso é que apesar de toda a boemia, como os casarões estão mais ou menos mantidos como eram e há uma praça, a zona toda tem um ar família, um ar de inocência.

Crepúsculo em Medellín

As cores do céu de Medellin

Céu, montanhas e a cidade iluminada
Pegamos o crepúsculo quando saímos da Via Margarida em direção à Plaza Pakita. As cores do céu de Medellín me encantaram desde a primeira vez que eu vi. Esta cidade tem alguma coisa de especial no seu contraste de tantas cores. 

A vista da cidade à noite, iluminada entre montanhas, me arrebatou. Eu sempre gostava de ficar olhando para ela. Ao que parece em breve este caminho de luzes, como uma grande iluminação de Natal, terá tomado conta das montanhas.

Plaza Pakita
Plaza Pakita

Livraria/cafeteria

Lojas diversas

Comida para todo gosto
Plaza Pakita é um grande galpão, democrático, onde as opções são diversas e variadas. Jantamos ai depois de um sábado inteiro em família. Aliás, o que mais vimos na Plaza Pakita foram famílias. Lojinhas com artesanato local (comprei uma xícara decorada para tomar tinto no Brasil), quiosques, boxes de comida rápida, restaurantes e até uma livraria toda estilosa com um café. 

Colorido e barulhento. Movimentado e com uma decoração linda, o desafio é encontrar um lugar para sentar e decidir o que comer em meio a tantas apetitosas opções.

Comida mexicana na Colômbia

Burritos
Olhando
Arepas

Arepa

Barriga cheia, hora de partir.
Terminei decidindo, depois de dar mil voltas com toda a indecisão, parte intrínseca de minha personalidade, por comida mexicana. A fila estava grande e a cara da comida estava ótima. Escolhi burritos que estavam deliciosos.

Léo também comeu comida mexicana e arepas. Arepas con todo, era o nome do lugar, porque era outra maneira de comer arepas, como sanduíches, com recheio à sua escolha. Não provei, mas ele disse que estava maravilhoso. 

E aqui encerramos mais um dia em Medellín.