sexta-feira, 15 de julho de 2016

NUREMBERG: pontes, PRAÇAS, fontes, MONUMENTOS e SALSICHAS, Alemanha:

O que ver em Nuremberg, Alemanha

Em nossa primeira tarde em Nuremberg nós caminhamos pela cidade, sentindo a atmosfera, criando as primeiras impressões e memórias e nos ambientando com suas ruas e praças. 

Aproveitando a luz do dia, continuamos nosso passeio sorvendo em pequenos goles, degustando sem pressa a cidade e seus diversos e variados elementos.

O bar Wanderer

Tiergärtnertor Platz com Wanderer ao fundo

Tomando uma cerveja na Tiergärtnertor Platz

Tomando uma cerveja na Tiergärtnertor Platz com o poço ao fundo
Dos jardins do Castelo Imperial voltamos para a Tiergärtnertor Platz para tomarmos uma cerveja no Wanderer. Foi um desses momentos triviais, simples, mas que rapidamente entrou em meu álbum de memórias afetivas.

Na Alemanha como os alemães: pegamos uma caneca de cerveja de meio litro no balcão, pagamos (seguro obrigatório, restituído na devolução da caneca) e sentamos no chão para bebê-la. 

A Pilatushaus a esquerda com a escultura de São Jorge matando o dragão na Tiergärtnertor Platz

A lebre e seus olhos esbugalhados na Tiergärtnertor Platz
A Tiergärtnertor  Platz fica aos pés do Castelo Imperial, onde nasceu a cidade, aliás, cujo nome Nuremberg, ou Norenberc (montanha rochosa) é uma referência a ele, o castelo, que foi construído sobre uma montanha de arenito. 

Somente em 1806 Nuremberg foi incorporada ao reino da Baviera. Até hoje o centro histórico (Altstad) é circundado pelas muralhas, erguidas no século XII, com extensão de 4 quilômetros.  

A praça é uma mistura de estilos e cheia de detalhes: aqui está a Pilatushaus, casa construída no século XV pertencente a um rico fabricante de armaduras e artefatos de guerra para reis e nobres. Ela possui sete andares e o detalhe é a escultura representando São Jorge matando o dragão na esquina.

Já pertenceu ao fundador do Museu Nacional Germânico, mas hoje é propriedade da cidade.

Não passa despercebido o enorme coelho, uma escultura em bronze criada por Jürgen Goetz chamada A lebre – uma homenagem a Dürer, inspirada em uma pintura (1502) do famoso pintor alemão Albretch Dürer, chamada Junger Feldhase.

O animal aparenta estar morto, tem os olhos esbugalhados, parecendo que suas entranhas já estão sendo devoradas. Li, em algum lugar, que a escultura seria uma ironia do artista em relação à reprodução exagerada e desmedida da lebre de Dürer, banalizando a obra dele. 

Tiergärtnertor Platz com a Torre Quadrada e a passagem pela muralha

A passagem pela muralha

Tiergärtnertor Platz
Aqui também vemos um poço, edifícios em diversos feitios e gêneros e a Tiergärtnertor, uma torre quadrada do século XV. Há também uma passagem, escura, arredondada, que atravessa a muralha e nos dá a nítida sensação de uma volta aos tempos medievais.

Enquanto estava sentada ali, olhando as pessoas e principalmente as coisas ao meu redor, fiquei imaginando como deveria estar aquele lugar nos últimos anos de guerra. A cidade foi a segunda mais destruída da Alemanha, sofreu bombardeios pesados dos aliados. A cidade transformou-se em ruínas que soterraram milhares de mortos.

Nos anos seguintes foi reconstruída baseada em plantas do século XII. Acho que por isso, apesar de sua aparência de antiguidade, ela não exala os anos de velhice, ao contrário e de forma surpreendente sua arquitetura exala modernidade. Não vemos rugas ou veias expostas nos edifícios de Nuremberg. 

Albrecht-Dürer Strasse

Albrecht-Dürer Strasse com a Tiergärtnertor Platz atrás no detalhe

Belezas da arquitetura em estilos diversos que encontramos caminhando pela cidade

Cachorrinho atravessando a ponte com sua dona

Karlsbrücke
Descemos a Albrecht-Dürer Strasse, deixando que nossos pés ditassem o ritmo, enquanto nossa mente divagava e absorvia o que via, buscando ver mais dessa cidade tão bonita e tão forte.

Nuremberg tem outra particularidade: pontes, numerosas e diversas pontes. Encontramos muitas ao longo de nosso caminho, de vários tipos, sendo algumas delas muito significativas para a história e identidade da cidade.

Parte inferior da Karlsbrücke

Karlsbrücke com a Henkersteg ao fundo. Do lado esquerdo as casa do Mercado de Pulgas
Às margens de quase todas elas é possível encontrar lindas e típicas casas que conferem ainda mais charme ao seu entorno. Passamos pela Ponte Karls (Karlsbrücke) onde as casas parecem debruçar-se sobre o rio com suas janelas parecendo olhos sorridentes e telhados muito peculiares.

Nessa área era realizado na Idade Média, um mercado onde porcos eram negociados. No século XV foi construída uma casa de carne com muitas lojas. Já no século XVI comerciantes diversos começaram a negociar seus produtos no local, conferindo heterogeneidade, e o nome passou a chamar-se Mercado de Pulgas. 

Os edifícios foram completamente destruídos durante a Segunda Guerra Mundial, sendo reconstruídos nos anos subsequentes. Hoje vemos lojas variadas e restaurantes por ali. 

Da ponte Karls, conseguimos ver a Ponte do Carrasco (Henkersteg - 1457).

Do lado esquerdo a Weinstadel e a Wasserturm e ponte do Carrasco

A Torre do enforcado onde vivia o carrasco
A Casa do Enforcado, onde existe uma exposição

Ponte de madeira do Carrasco

Belas e floridas casas

Cenas da cidade: senhorinha que se desloca de bicicleta
A ponte leva esse nome porque durante três séculos o carrasco da cidade morou na torre que fica no fim da ponte. Sua casa ficava fora dos limites da cidade pois seu trabalho era considerado pela população como desonesto.

Hoje há uma exposição que conta a historia do crime em Nuremberg nos anos 1600: Henker Haus ou Casa do Carrasco. Infelizmente estava fechada e não conseguimos visitar nos dias seguintes. Uma pena e um motivo para um dia voltarmos.

Ao atravessar a ponte coberta, eu juntei a poeira de minha energia e fiapos de minha história a de inúmeras outras pessoas que por ali passaram antes de mim ao longo de tantos e muitos anos.

Do outro lado, duas estruturas interessantes: a Weinstadel e a Wasserturm (Torre de Água). A primeira foi construída em meados do século XV e serviu de alojamento especial para leprosos. Quando eles foram transferidos, o lugar foi usado como abrigo para artesãos e famílias pobres. No entanto, no século XVI era uma adega para armazenar vinhos e atualmente funciona como alojamento para estudantes.

A segunda data de princípios do século XIV e fazia parte das fortificações da cidade. Com a extensão das mesmas no entanto, a torre perdeu o sentido de sua existência original passando a ser usada como prisão. 

Durante o período nacional-socialista, foram usadas como passagem pelos nazistas. 
Kettensteg: a ponte suspensa das correntes sobre o rio Pegnitz

Kettensteg: a ponte suspensa das correntes

Kettensteg

Cenas da cidade: andaime que vira sacada e lixo reciclável seco em sacos próprios para coleta
A ponte suspensa das correntes (Kettensteg), foi construída em 1824, inspirada em modelos ingleses. Antes dela havia uma ponte de madeira bem em frente, que era usada pelos moradores para atravessar o rio Pegnitz.

Na época do nacional-socialismo houve projetos para modernização e demolição, mas que nunca puderam ser concretizados por conta da eclosão da guerra. Ela balança quando caminhamos por ela.

Achei uma mistura interessante de contraste olhando a ponte de fora. 

Ao longo de nosso caminho fomos observando algumas cenas do cotidiano da cidade: o cachorrinho atravessando a ponte, a senhora puxando o carrinho de compras, enquanto outra se deslocava de bicicleta. Um andaime que vira sacada e as pessoas colocando o lixo seco reciclável dentro de sacos próprios, pois só é recolhido uma vez na semana. 

Carrossel do Casamento e um pedaço da White Tower

Carrossel do Casamento 

Carrossel do Casamento

Carrossel do Casamento: momentos finais de um casamento

Carrossel do Casamento e a White Tower
Por fim, nos deparamos com a fonte chamada Carrossel do Casamento (Ehekarussell Brunnen), uma escultura de bronze espetacular retratando seis momentos (caricatos) do casamento, entre eles o primeiro amor, o tédio do marido diante da esposa brincando com os filhos e dela gorda e o momento crucial (e final) em que um quer matar o outro.

A fonte, concluída na década de oitenta do século passado, foi inspirada em obra do poeta medieval Hans Sachs. 

Olhando e velando o Carrossel, encontramos a Torre Branca (Weisser Turm) com seu relógio emblemático, que parece estar olhando tudo o que acontece por ali. Ela fazia parte da muralha, mas hoje jaz solitária. Foi construída em meados do século XIII, severamente danificada em 1945 e reconstruída em 1977. Hoje possui uma entrada para uma estação de metrô.
Jantando Nürnberger Rostbratwürste no Handwerkerhof
Encerramos aquela segunda-feira jantando em um dos restaurantes da Handwerkerhof, o quarteirão dos artesãos. Escolhemos um clássico da gastronomia de Nuremberg: Nürnberger Rostbratwürste (13,50 euros). Pedimos 12 salsichas com chucrute (sauerkraut) para compartilhar. O prato estava delicioso!

Para melhorar ainda mais não resistimos e comemos pretzels (brezel) que já estavam à nossa disposição à mesa. Custou 1 euro cada unidade.

Como já eram 20:30 da noite, estava quase vazio porque fecha às 21:00.

Definitivamente, a cidade conquistou minha alma e meu paladar.