domingo, 11 de junho de 2017

Um MERCADO para chamar de NOSSO em Quioto, Japão:

Um MERCADO para chamar de NOSSO em Quioto, Japão:

Acho os mercados de uma cidade (não importa de que tipo eles sejam) uma fonte inestimável, e deliciosa, de investigação de hábitos locais. Além disso, eles podem salvar vidas, como aconteceu comigo no Japão, país de hábitos gastronômicos estranhos para o meu paladar. Assim que, foi uma felicidade encontrar um mercado para chamar de nosso em Quioto.

Foi comum vermos pessoas tomando café da manhã e jantando nos mercados. Pela manhã, geralmente passavam com pressa, saíam carregando a comida pelas ruas, enquanto à noite, mais tranquilos, comiam no próprio mercado.

Muito próximo ao nosso hotel achamos este mercado cujo nome nunca descobrimos, e o chamávamos simplesmente de K, por ser a única coisa que entendíamos de sua fachada. Sua estrutura era similar aos que encontramos no Brasil, mas a comida oferecida, bem diferente.

Não me lembro de ter visto frutas ou verduras in natura, apenas em conserva. Ouvi dizer que como o país tem poucas terras férteis e muita gente vivendo por lá, tudo é colocado em conserva para não haver desperdício de comida. Não à toa, frutas no Japão são caríssimas e tem status, muitas vezes, de joias.

Fomos a este mercado todos os dias, fosse para tomamos café da manhã, fosse para jantar e o ritual era sempre o mesmo.

Ao entrarmos, um sininho soava chamando a atenção dos funcionários, que imediatamente diziam, em japonês, alguma coisa que identificávamos como “bom dia” ou talvez “sejam bem vindos”. Respondíamos apenas com um leve cumprimento de cabeça.

Em seguida, levávamos cerca de meia hora fuçando as gôndolas, olhando as comidas, tentando decifrar algumas delas. Era divertido, devo dizer! Sentia-me constantemente como uma criança em lojas de brinquedos, de um lado a outro, encantada e divertida com as descobertas.

Como tudo estava escrito em japonês, sem qualquer tradução, tínhamos que nos guiar pela aparência para fazermos nossas escolhas. Uma vez feitas, pagávamos no caixa, onde éramos cumprimentados à moda japonesa e sempre me perguntavam se eu queria aquecer a comida e se desejava deixar a nota ali.

Eles perguntavam em japonês, eu respondia em português e não sei como, mas a gente se entendia muito bem. Talvez por não haver muito mistério nessa conversa básica, não saberia dizer, só sei que fluiu sem problemas.

Um MERCADO para chamar de NOSSO em Quioto, Japão:
Massa japonesa: jantar

Um MERCADO para chamar de NOSSO em Quioto, Japão:
Apreciando uma massa japonesa

Um MERCADO para chamar de NOSSO em Quioto, Japão:
Opção de jantar: arroz grudento, ovo cozido e itens não descobertos. Doce de morango com feijão como recheio

Um MERCADO para chamar de NOSSO em Quioto, Japão:
Pão com pasta de amendoim fechado a vácuo e café gelado

Um MERCADO para chamar de NOSSO em Quioto, Japão:
Polvo em conserva
Para o café da manhã, geralmente eu escolhia um pão com ovo fechado a vácuo que identifiquei pelo ovo estampado na capa. A embalagem era transparente e pude ver a cara do pão. Embora não tivesse gosto de pão com ovo, eu gostei muito. Tanto que até tentei mudar de opção, mas terminei no pão com ovo constantemente.

Para acompanhar, café gelado da marca americana Mt. Rainier e, algumas vezes, uma espécie de bolo de rolo, sem recheio, mas fofinho e muito menos doce que os doces brasileiros.

Bem diferente de mim, Léo gosta de se aventurar por sabores estranhos e inusitados de comidas com aparência e texturas esquisitas. Assim, ele sempre escolhia doce de chá verde ou morango com feijão como recheio, por exemplo. Eu os achei muito ruins e ele adorou.

Ele comprou ainda polvo em conserva para petiscar e disse que não tinha gosto de nada e para jantar sempre comprava algo que tivesse o terrível e grudento arroz japonês, além de algumas coisas impossíveis de serem identificadas.

Ele nem sabia se o empanado de seu jantar em determinada noite era frango, peixe ou qualquer outro bicho. Se bem que em casos assim, o melhor é mesmo nem saber!

Uma vez me arrisquei em um suco de jasmim: tinha gosto de shampoo de camomila! Achei tão ruim que o abandonei. Para jantar geralmente eu escolhia as massas, as fininhas, saborosas, embora nunca tenha chegado perto de descobrir quais eram os acompanhamentos. Nunca encontrei nenhuma massa com molho.

Os valores das comidas eram ótimos. Baratos de verdade! Portanto, comida pronta, aquecida e barata, fica fácil de apaixonar. Por isso adotamos o mercadinho K. Um último detalhe: na compra da comida recebíamos hashi. Nada de garfo ou faca. 

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Um mercado para chamar de nosso em Quioto