sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Galleria degli UFFIZI - é HORA de começar a explorar FLORENÇA:

Galleria degli Uffizi

Vista da Ponte Vecchio desde a Galleria degli Uffizi

Vista da Ponte Vecchio desde a Galleria degli Uffizi

O sol brilha sobre Florença

Toda a beleza da Ponte Vecchio e do Corredor Vasari sobre o rio Arno

Os tetos de Florença são belíssimos
Começamos a conhecer Florença por um de seus clássicos: a Galleria degli Uffizi, o maior museu de arte da Itália e um dos mais antigos da Europa, que teve sua abertura oficial no século XVIII. O prédio, em formato de U, foi construído no século XVI, a pedido de Cosimo I, para abrigar os escritórios administrativos do Ducado da Toscana. Aliás, Uffizi significa escritório em italiano arcaico. 

Atualmente conta com mais de 1500 obras distribuídas em 50 salas com pinturas que vão desde a época medieval até a moderna, afrescos e esculturas gregas e romanas. Além do interior magnífico, onde cada centímetro do prédio é ornado com alguma obra de arte, a Uffizi é circundada por uma parede de vidro que nos permite vistas espetaculares. O projeto original é do estupendo arquiteto Giorgio Vasari, que projetou um grande palácio de duas alas, "sobre o rio e quase no ar". 

 Galleria degli Uffizi

Galleria degli Uffizi
A Galleria está em todos os guias e blogs que li como uma das atrações imperdíveis da cidade, mas eu tenho que discordar. Acho que é imperdível para quem gosta de visitar museus. Para quem não gosta, qual o sentido de enfrentar as multidões, além de gastar alguns euros para visitar um lugar que não causa a menor emoção ou interesse? Melhor usar o tempo visitando os locais que gostamos.

Vi um casal em uma das salas da Ufizzi que estava praticamente em uma marcha atlética, não demorando mais do que poucos segundos em cada sala, não gastando um milésimo de tempo olhando qualquer obra. Ambos tinham uma expressão tão intensa de tédio que chamou a minha atenção em meio a um mar de pessoas e de pinturas sensacionais. 

No corredor da Uffizi entre estátuas gregas e romanas
Para evitar filas, compramos os bilhetes pela internet, ainda no Brasil, com cerca de dois meses de antecedência, com hora marcada. O site é muito fácil de ser usado e assim que efetuamos a compra, imprimimos os vouchers para serem apresentados na bilheteria, em Florença.

Decidimos por um dos primeiros horários porque gosto de chegar cedo. A principal razão é ter bastante tempo para espiar as obras de arte e aproveitar o museu um pouco mais vazio, porque à medida que o dia vai avançando, mais pessoas vão chegando e lotando as salas.

A caminho da Galleria Uffizi me deparando pela primeira vez com a beleza de Florença

Cidade iluminada

Dante Allighhieri guardando a Uffizi

Niccolo Macchiavelli
Para chegar à Uffizi fizemos o caminho que margeia o Rio Arno e esta foi minha primeira visão de Florença: perdi o fôlego diante de tanta beleza. Só que não havia tempo para apreciar os encantos florentinos naquele momento. Corremos para a Galleria e chegamos uns minutos antes da hora de entrada.

Na parte externa da galeria há estátuas de alguns dos grandes mestres italianos que passaram por Florença (e deixaram suas marcas), assim como personagens importantes no cenário político e econômico da cidade, a exemplo de Cosimo I. Por isso, pudemos tirar fotos com Dante Allighieri, Galileo Galilei e Niccolo Macchiavelli.

Subindo as escadaria que dão acesso a um dos mais antigos templos da arte

Próxima à entrada

Sarcófago Triunfo de Baco

Começou a diversão.
Apresentamos nossos vouchers na bilheteria na hora marcada, passamos pelo raio x e entramos. Deparamo-nos com uma longa e crua escada, majestosa em sua simplicidade cinza, que nos deu acesso ao museu.

Logo na entrada, estava o sarcófago Triunfo de Baco, com detalhes em alto relevo que me fez ter a impressão de estar participando da festa. A palavra “sarcófago” deriva do grego sarkos (carne) e fago (mangiare – comer ou devorador de carne). 

Eu amo os museus. Por isso quando me vi no corredor da Ufizzi, onde estão expostas as esculturas gregas e romanas, eu inspirei profundamente e me lancei naquela aventura pelo passado distante e atual de Florença. Estava na hora de começar a jornada.

Tribuna

Madonna col Bambino i due Angeli de Filippo Lippi

A Sagrada Família com São João menino, de Michelangelo

Sala de Níobe

O Nascimento de Vênus de Botticelli
Assim, me vi diante da espetacular cena criada por Gentile da Fabriano, chamada Adoração dos Magos, da primeira metade do século XV, onde a romaria que vai conhecer o menino Jesus, no colo de sua mãe, nos dá uma sensação de movimento, de multidão. Vi-me tentando absorver cada detalhe da Tribuna, cheia de tesouros, com sua abóbada octagonal com incrustações de conchas, onde só nos é permitido observar de longe os tesouros ali encerrados.

A Madonna col Bambino i due Angeli, de Filippo Lippi é de uma doçura comovente. A Sala de Níobe é muito interessante. Ela abriga um conjunto de esculturas encontradas durante o século XVI em um vinhedo em Roma, evocavando o mito de Níobe, aniquilada com seus filhos por Apolo e Diana. As estátuas estão em posturas diversas formando um curioso conjunto.

Foi impossível não derramar lágrimas diante de A Primavera de Sandro Botticelli. É uma imagem mágica e que desejei com muita força fazer parte daquele mundo encantado, de estar naquela floresta em meio a flores e seres mitológicos. Fiquei encantada ao ver O Nascimento de Vênus, do mesmo artista. As cores da Sagrada Família e São João menino, de Michelangelo me arrebataram e eu juro que estendi as duas mãos querendo segurar Jesus. 

Hora do almoço na cafeteria da Uffizi

Panini pomodoro i mozarella com vista para o Palazzo della Signoria

As opções: doces e salgadas

O café italiano: forte e ristretto

Puro, negro e forte: amo o café italiano
Por volta de 13:30, nós paramos para fazer um lanche na cafeteria da Uffizi: um ótimo café (forte, puro e negro como eu gosto) e um delicioso panini con pomodoro i mozarella (sanduíche de queijo com tomate), que comemos em pé, pois para comer sentados, os produtos quase dobram de preço. Fazendo-nos companhia, a linda vista para o Palazzo Vechio. Seguimos então para a segunda parte do recorrido, onde nos encontramos com mais pintores italianos e outros não italianos.

Casal de Anciãos na Távola de Frans Van Mieris, Il Vecchio

Judite decapitando Holofernes de Artemisia Gentileschi

Deixando a Ufizzi com a alma em festa
Como sempre, a pintura flamenga roubou o meu coração: cenas, muitas cenas antigas de vidas cotidianas. A Cena da Taverna de Jan Miense Molenaer (sec. XVII), me fez dançar. O Casal de Anciãos na Távola, de Frans Van Mieris, Il Vecchio, do mesmo século, me fez suspirar diante de tanto amor. Sentei-me à mesa com Gherardo Delle Notti em sua Serenata de Luto, também do século XVII.

Bronzino, Raffaello, Tiziano, Caravaggio, Bartolomeo Manfredi, Leonardo Da Vinci, Artemisia Gentileschi... Esta artista me chamou especial atenção por sua obra e por sua história. Ela viveu entre o fim do século XVI e início do XVII. Foi estuprada aos 17 anos por um assistente de seu pai. Durante o julgamento, que durou 7 meses, a pintora foi torturada e submetida a exames ginecológicos para comprovar a veracidade de sua história. O criminoso foi condenado a 1 ano de prisão, cuja pena não foi cumprida em sua totalidade. Ela então passou a pintar mulheres fortes como uma forma de vingança.

Retratos, cenas, cores. Visão de cada artista, tema escolhido, vários séculos de culturas e povos retratados. É um mundo encantado, arrebatador. Ao todo levamos 7 horas percorrendo as salas da galeria e senti tristeza quando chegou a hora de sairmos.

Passamos na loja do museu, com os artigos de sempre, a maioria dos objetos caros como de costume, onde compramos marcadores de livros magnéticos e um guia do museu. São os souvenirs que geralmente compramos: uma lembrança útil de momentos alegres. 

Quando deixamos a galeria já era noite. Visitar a Uffizi vale muito à pena: é um espaço espetacular, com obras formidáveis.