sexta-feira, 10 de junho de 2016

ROMA, parte I:

Desembarcamos em Roma no fim da manhã depois de termos passado duas semanas em Florença. Quando nós saímos da estação de trem Roma Termini eu tomei um choque: uma onda de caos me inundou.

Tudo em Roma era diferente de Florença: as cores, o ritmo, os sons, o clima. Era como se eu tivesse chegado a outro país. A sensação era de ter passado muitas horas no ar condicionado e de repente saísse para a rua em um dia de verão e recebesse aquela lufada de vento quente no rosto. Foi intensamente desconfortável e de cara eu antipatizei com a cidade. Imediatamente eu senti saudades da capital da Toscana: imensamente.

O trânsito em frente à Termini era caótico: buzinas para todo lado, com ônibus e carros atravancando a rua, pessoas passando entre os carros, uma velhinha xingando, o motorista do ônibus respondendo. Fiquei boquiaberta, estupefata com a cena. O que era aquilo?

Caminhamos até o hotel, fizemos check-in, deixamos as bagagens no quarto, fizemos um lanche no terminal de trens e metrôs e como só tínhamos uma tarde na cidade, resolvemos caminhar por ela sem entrar em nenhum lugar, ter um overview, e quem sabe mudar as minhas primeiras impressões negativas sobre essa cidade amada por muita gente?!

Estação de metrô 

A caminho do Vaticano

Conseguimos um mapa no hotel e decidimos que a primeira parada seria o Vaticano. Fomos até lá de metrô. A estação é a mesma de trens: Roma Termini. Compramos os bilhetes nas máquinas disponíveis na estação, em dinheiro.

A primeira coisa que me chamou a atenção foi que ao lado de uma lanchonete, dentro da estação, havia partes de uma antiga muralha, como se fosse a coisa mais normal do mundo ela estar ali: ninguém, além de mim, parecia notar a incongruência daquela cena. 

Cenas do Vaticano

Basílica de São Pedo

Praça São Pedro

Praça São Marcos

Basílica de São Pedro e cadeiras arrumadas para o Jubileu da Misericórdia 

Panorâmica da Praça São Pedro
O Vaticano, capital da Igreja Católica, é o menor estado do mundo, soberano desde 1929, governado pelo papa. Aqui, São Pedro foi queimado e martirizado em 64 d.C.

Cerca de 500 pessoas vivem no Vaticano que possui alojamentos para funcionários e religiosos, além de correio, rádio, jornal, sistema judiciário, banco e até sua própria moeda.

A Praça de São Pedro, construída por Bernini no século XVII, estava preparada para o Jubileu da Misericórdia que começaria no dia seguinte. Inclusive havia certa tensão a respeito de possíveis ataques terroristas que, ainda bem, não aconteceram.

A fila para entrar na Basílica de São Pedro estava assustadoramente grande, mas como não tínhamos intenção alguma de visitá-la nesta viagem, seguimos para o centro da praça, onde havia muita gente circulando e tirando fotos, incluindo muitos brasileiros, mas não tinha a multidão que eu esperava.

A Basílica por fora, cuja construção teve participação de arquitetos do Renascimento, é de fato muito bonita, com suas colunas e janelas, incluindo a janela da biblioteca onde o papa abençoa os fieis reunidos na praça.

A praça, em formato circular cercada por imensas colunas e esculturas que pareciam vigiar a todos, não me impressionou. Ela possui fontes e belos postes de luz, mas não encontrei a imponência que esperava. 

Castel Sant´Angelo

Basílica de São Pedro desde o Castel Sant´Angelo

Castel Sant´Angelo e a Ponte de mesmo nome

A Ponte Sant´Angelo, seus arcos e os anjos de Bernini

Arte de rua nos arcos da Ponte Sant´Angelo

Vista da Ponte Vittorio Emanuele e das pistas de corrida e bicicleta 

Na Ponte Sant´Angelo
Andamos em direção ao Castel Sant´Angelo, com sua estrutura rotunda, surgido em 139 como mausoléu do imperador Adriano. Já teve várias funções como por exemplo, residência dos papas do Renascimento. No século XVI, durante o saque de Carlos V à Roma, centenas de pessoas viveram no castelo por meses. Atualmente é um museu que conta todas essas histórias.

Leva esse nome por conta de uma visão que o papa Gregório teve do arcanjo Miguel, enquanto rezava pelo fim da peste em Roma. 

Atravessamos a ponte Sant´Angelo, que cruza o rio Tibre e foi construída no século II pelo imperador Adriano. Já foi conhecida como Ponte de São Pedro, por ser utilizada por pedestres com destino a Basílica de São Pedro. No século XV, ela ruiu e precisou ser restaurada. No século XVI corpos de pessoas executadas eram exibidos aqui.

A ponte tem uma lindíssima tonalidade de cinza e é adornada com esculturas em toda sua extensão: os anjos de Bernini. Apoiada em arcos ela faz uma encantadora composição com o rio de tonalidade esverdeada.

Ao longo do rio há pistas de bicicleta e corrida: fiquei imaginando a delicia que não deve ser praticar esportes ali.  
Caminhando pela margem direita do rio Tibre

Sentindo Roma

Arquitetura às margens do rio Tibre

O Rio Tibre com a Basílica de São Pedro ao fundo
Fomos caminhando pela margem direita do rio, deixando o Vaticano e o Castel Sant´Angelo para trás. Durante alguns quilômetros a Basílica ainda era visível aos nossos olhos.

As árvores com tonalidades de outono estavam lindas e faziam um belo contraste com a arquitetura antiga e gasta da cidade, carregada com velhas cores desbotadas. 

Havia poucos transeuntes e o trânsito nessa parte estava menos intenso e menos barulhento: estava muito bom respirar o ar frio daquela tarde que apenas iniciava. 

Pelas ruas de Roma

Arquitetura gasta

Gelateria dei Gracchi

As igrejas gêmeas

A Porta del Popolo ao fundo
Acessamos a Piazza del Popolo através da Via dei Gracchi, onde paramos para tomar um sorvete na Gelateria dei Gracchi: delicioso! O melhor que tomei na Itália. Era um lugar pequeno, com apenas um banco colado à parede de cada lado do estabelecimento e uma jovem atendente que parecia querer estar em qualquer lugar do mundo, menos ali: saudades de Florença e dos florentinos.

Na Piazza del Popolo estão as igrejas gêmeas Santa Maria Montesanto e Santa Maria dei Miracoli, formando um conjunto arquitetônico muito interessante em composição com a praça que estava muito movimentada.

Por muitos anos foi palco de execuções públicas e aqui está a Porta del Popolo, uma das principais entradas da Roma do século XVII, criada por Bernini.

A parada seguinte foi a Piazza di Spagna, mas o resto da tarde eu conto em outro momento.