domingo, 23 de outubro de 2016

A cervejaria HOFBRÄUHAUS, a Altenhofstraße e ALTER HOF (Corte Velha), o que VER em MUNIQUE, Alemanha:

A cervejaria Hofbräuhaus O que ver em Munique Alemanha
A cervejaria Hofbräuhaus

A Hofbräuhaus é a cervejaria mais famosa de Munique e está carregada, repleta de histórias.  

Foi fundada em 1589, pelo duque Guilherme V para ser a cervejaria da corte. Está no endereço atual, na Platzl 9, desde 1654. Somente em 1830, recebeu autorização para vender cerveja ao público. Hoje ela é extremamente turística e estava lotada quando lá estivemos. 
A cervejaria Hofbräuhaus O que ver em Munique Alemanha
A cervejaria Hofbräuhaus - o interior

Um enorme salão, com mesas de madeira e afrescos no teto. Belos lustres, muita gente circulando, bebendo, falando alto. Gente de muitos lugares, muitos idiomas. Garçons e garçonetes passando a todo momento carregando bandejas com cervejas e delícias tipicamente alemãs. Havia até pretzels tamanho gigante.

Não consegui ficar ali mais que o tempo necessário de olhar e tirar umas poucas fotos. Fomos para cervejaria em frente, Wirtshaus Ayingersmais bonita, mais vazia e mais silenciosa para tomarmos uma cerveja.
A cervejaria Hofbräuhaus O que ver em Munique
A cervejaria Hofbräuhaus e a escadaria para o salão onde Hitler discursou

A cervejaria Hofbräuhaus O que ver em Munique Alemanha
A cervejaria Hofbräuhaus - o salão onde Hitler discursou pela primeira vez

A cervejaria Hofbräuhaus O que ver em Munique Alemanha
A cervejaria Hofbräuhaus -  escada de acesso ao segundo piso

Entretanto, no segundo andar da Hofbräuhaus, está um lugar que eu queria muito conhecer. Foi em um salão, ali situado, onde Hitler fez seu primeiro discurso, em 1920 e descobriu que era um bom orador. Começava a terrível trajetória nazista.

“O Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães – ainda não sabemos quem está por trás desse produto – anunciou para esta semana duas noites de palestras científico-populares, das quais uma foi realizada na terça-feira, no salão de festas da Hofbräuhaus [cervejaria da corte]. (...) Sob um dos painéis armados pelo orador sobressaía a suástica.” 

Sob o símbolo da suástica, matéria publicada pelo Münchener Post sobre o NSDAP. 

Mais ou menos cem pessoas estavam na Hofbräuhaus naquela noite e Hitler foi aclamado. Segundo ele mesmo declarou em seu livro Mein Kampf – Minha Luta, ele conseguiu eletrizar a plateia ali presente.

Quando o visitamos, o grande salão estava organizado para algum evento, mas com aquela pouca iluminação, eu pude imaginar o que não deve ter sido nos anos 20, o país pegando fogo politica e economicamente, com os ânimos inflamados, o discurso de um homem que através de manifestações antissemitas deu àquela assembleia o que queriam ouvir: um alento de dias melhores. Equivocado e preconceituoso. A continuação dessa história nós bem conhecemos.

Era muito comum nessa época que eventos políticos acontecessem nas cervejarias por duas razões: esses espaços faziam parte do dia a dia da cidade e além do mais tinham capacidade para abrigar muitas pessoas. Não raro as reuniões acabavam com os ânimos acirrados, bate boca e muita pancadaria e destruição. 

A cervejaria Hofbräuhaus - O que ver em Munique Alemanha
A Platzl, onde está situada a cervejaria Hofbräuhaus

Altenhofstraße O que ver em Munique Alemanha
Altenhofstraße e os prédios com tonalidades distintas de cores e beleza

Altenhofstraße - quase dancei na chuva
Depois de passarmos pela Hofbräuhaus, voltamos a caminhar por Munique, passando pela Altenhofstraße, com edifícios de cores distintas e beleza para todo lado. Nessa rua se localizam lojas e bares, mas nessa tarde de domingo, com a chuva recomeçando, ela estava tranquila, deserta, com poucos transeuntes, praticamente só para mim e para Léo! Eu quase dancei na chuva.
Alter Hof - O que ver em Munique Alemanha
A entrada para a Alter Hof

Alter Hof - Corte Velha O que ver em Munique
Alter Hof - Corte Velha

Alter Hof - Corte Velha e a Janela Saliente

Em um dos lados da Altenhofstraße está o Alter Hof, ou Corte Velha, antiga residência imperial de Luís IV da Baviera (1282 – 1347), Imperador do Sacro Império Romano-Germânico, Duque da Baviera e algumas coisinhas mais, até o século XV, quando por motivos de segurança, a corte mudou-se para outro endereço.

Essa foi a primeira residência fixa de um Imperador do Sacro Império, mas há indícios de que desde o século XII, o castelo já existia. Nesses tempos havia uma capela, hoje morta, que abrigou a Regalia Imperial.

Muito danificado durante a Segunda Guerra, somente parte dele foi reconstruído. O Burgstock, uma das partes que compunha o castelo, é patrimônio histórico e muito bonito em sua simplicidade, em nada lembrando os castelos de meu imaginário.

No Burgstock, onde está alojado o museu central (domingo não funciona) podemos ver uma maravilhosa janela saliente, gótica, por onde, segundo conta a história um macaco do zoológico real teria sequestrado o pequeno Luís da Baviera, devolvendo-o mais tarde são e salvo.

Aqui também estávamos sozinhos. Enquanto observávamos o prédio, uma ou outra pessoa atravessava o pátio a caminho de algum outro lugar, sem se deter nem por um único segundo. Eu podia ouvir o silêncio, o que ajudou a escutar os sussurros do passado. Então, seguimos em frente.